quarta-feira, 10 de junho de 2015

Diário de Bordo – Karimai 09/06/2015 por Allef Lira

Diário de Bordo – Karimai 09/06/2015



            Para dar início a este Diário de Bordo do processo de criação do espetáculo Karimai, gostaria de mencionar duas citações. A primeira é de uma música da Marjorie Estiano, “pra quê manter os pés no chão se todo mundo quer voar...”. A segunda é uma fala da Willemara Barros, considerada uma das mais importantes bailarinas do Ceará, em sua aula-espetáculo de comemoração dos seus cinquenta anos de vida e quarenta de dança na VI Semana D da Dança, festival que acontece todo mês de Abril no Cariri, em que se lembra de um diálogo com seu marido Fauller: “­- Willa me ensina a dança. (Ele) – Dançar tu já sabe Fauller, mas se me deres a mão juntos poderemos voar. (Ela)”. São duas frases que mexem muito comigo e que nunca esqueci desde a primeira vez que escutei. Elas fazem com que o meu Eu bailarino deseje voar e isso percebo na proposta do espetáculo, bailarinos voando como pássaros, mesmo que no sentido literal, mas que seus interiores sejam contaminados com verdadeiros pássaros e borboletas passando essa sensação para o público.
            A cada ensaio o Alysson pede a um dos bailarinos para fazer o diário de bordo e não tinha dito que se os demais também quisessem manifestar suas sensações seria permitido. No ensaio passado, sábado 06, eu não fui escolhido para escrever, mas fui pra casa com essa necessidade, tinha angústias e passei o resto do dia com elas tomando conta de mim, até que à noite desabafei com um amigo. Eu não consegui fazer nada nessa tarde, estudar, conversar, ou se quer comer direito, apenas ficar deitado pensando e pensando e pensando... Sou uma pessoa que guarda suas sensações para si, difícil de abrir-se com as pessoas, até mesmo com os amigos e isso vai me sufocando, vou sofrendo calado. No sábado ensaiamos e percebi que meu rendimento não foi um dos melhores, isso estava me torturando, roubando toda minha concentração. Eu tenho mania de perfeição e por gostar tanto desse processo e desejar estar nesse trabalho acabei pecando nesse ponto. Depois tivemos uma reunião e colocamos em pauta os assuntos dos últimos meses, acho que seria necessário pensarmos em adocicar nossas palavras e atitudes, algumas deixam o clima pesado e pode acabar ferindo alguém. Eu também tenho uma teoria, minha teoria é sobre momentos, apesar de ansiar pelo futuro. Falar quando as palavras forem necessárias e fazer silêncio quando não forem.Estou vivendo esse momento e sendo contaminado por ele. Hoje estou mais leve e preciso dessa leveza para ser como um pássaro.
            A aula de hoje foi diferente, nossa professora de Ballet Clássico não poderia estar presente e seria substituída pelo Alysson que teve um imprevisto de última hora e não pode dar a aula, então a Kelyenne deu aula de Capoeira para a Cia. É uma aula que exige muito e quando se está na ADC desde as 15h30 dando aulas, ensaiando, fazendo aula e ainda malhando, às 19h você está exausto para uma aula dessas, é preciso uma certa preparação para fazê-la.
            Depois fomos ensaiar, eu estava mais leve, foi um ensaio gostoso. A princípio começamos relembrando as partituras e em seguida mostrando-as ao Alysson na ordem que ele pedia. Em certo momento que um dos grupos passava e eu estava de fora estudando, notei-o dando pulinhos de alegria, entusiasmado com os resultados, são pequenos gestos que me motivam ainda mais, eliminam o cansaço físico e fazem com que o desejo pelo espetáculo aumente. Teve a apresentação do Duo dos meninos, Erick e Leo, foi lindo, pareciam verdadeiros pássaros, estou muito orgulhoso com o crescimento dos meus amigos, muito feliz por eles, são pessoas especiais e merecedoras de todo reconhecimento. Mais tarde fomos surpreendidos com a presença do Di Freitas, nosso músico, trazendo a prévia de seis músicas para o espetáculo, foi uma enorme alegria contagiando a sala. Após o ensaio fizemos uma roda de conversa, o Alysson disse para não nos preocuparmos com a confusão de cenas que estava no início, pelo contrário, eu já vejo um trabalho consistente que me proporciona enxergá-lo no futuro através de devaneios, a cada ensaio vejo o espetáculo mais solidificado. Fizemos um estudo dos figurinos, imagens incríveis e motivadoras foram apresentadas. Eu fui pra casa mais leve, pensando em Karimai.
            Finalizo com uma mensagem que vi recentemente no Instagram de um autor desconhecido, “NÃO COLOQUE LIMITES NOS SEUS SONHOS, COLOQUE FÉ”.



Allef Lira.

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