Sair de casa para ensaiar nesta quarta-feira, 29 não foi uma atividade prazerosa. O cansaço toma de conta do meu corpo desde a semana passada, estou tendo aula o dia todo para compensar as duas semanas que estivemos de recesso. A cada dia que passa meu corpo, automaticamente, se entrega ao cansaço físico e mental mais rápido. Cheguei na ADC meio para baixo, com mal-estar, acho que por não ter alimentado-me direito nesse dia, isso perdurou até o final do aquecimento. Já convicto de que não aguentaria fazer um ensaio legal e que iria pedir ao Alysson apenas para marcar, o mesmo pede para começarmos e algo toca-me, no meu subconsciente uma voz dizia, "não se entregue", "não economize", "não desista..." e ficou ressoando várias vezes. Após o primeiro passadão, vendo que estava exausto e que a voz já não martelava mais na minha cabeça, resolvi que eu mesmo falaria aquilo pra mim e fiquei o tempo todo repetindo para não desistir e não economizar.
Se isso tivesse acontecido há algum tempo atrás eu teria desistido, teria pedido apenas para marcar ou até mesmo ficar só observando, mas pelo contrário, fui forte e cheguei até o fim. Força proveniente, acredito eu, da energia de Karimai, ser que mesmo depois de sua partida física, continua com atos de bondade e transbordando energia positiva. Não o conheci pessoalmente, mas não precisou para saber o quanto era generoso, sou grato a família e amigos por ter falado desse ser incrível, pelos momentos de troca, pelas lembranças que tanto mexeram comigo, por todo aprendizado. Obrigado Penha, Clara, Eneide e Elisângela por falar de suas particularidades, de seus momentos íntimos com Karimai, por ter me apresentado o "NÃO ECONOMIZE" (algo que levarei pra sempre e usarei em todos os momentos que parecerem difíceis). Obrigado Alysson por proporcionar-me essa vivência incrível.
Desejo que a energia de Karimai permeie por nossos ensaios e apresentações, em nossas vidas, fazendo-nos lembrar, sempre, de sua bondade. Ah, e Não Economizemos, afinal, pra quê economizar naquilo que tanto amamos fazer?
Allef Lira.
quinta-feira, 30 de julho de 2015
quarta-feira, 29 de julho de 2015
Diario de Bordo por Thiago Gomez
Diário de Bordo – Espetáculo Karimai
28 de
Julho de 2015
Por Thiago Gomez
Bailarinos
são vaidosos. Querem está em palco, querem ocupar um lugar de destaque, querem
elevar sua imagem e algumas vezes apenas exaltar sua presença, dissociando-se
da imensidão da obra e da grandeza que é a dança.
Por
algum tempo acreditei que dançar um espetáculo vinha acrescido do glamour do
bailarino em cena e que o trabalho estava a favor de tal. Equívoco que aos
poucos fui/vou corrigindo.
A
presença do intérprete na mise-en-scene lhe
dar automaticamente um ponto de brilho, pois existe um aparato de fatores que
colaboram para tal, mas há questões que são ainda mais profundas e transcendem tais
casos meramente fúteis.
Vivenciar
o processo de criação do espetáculo Karimai
têm me feito refletir sobre essas questões, desconstruí-las e dar espaço para outros
pensamentos, outras possibilidades, outras reflexões.
Acredito
imensamente na generosidade, na humildade, nas boas energias que a criação nos
presenteia. Estamos desenvolvendo uma sensibilidade impar, delicadeza, uma
sutileza neste processo que vão além de qualquer outro fator. É visível o
fortalecimento e a coletividade da companhia e como estamos todos trabalhando,
direta ou indiretamente, em razão do espetáculo.
Quanto
mais nos aprofundamos no tema gerador do trabalho, percebo que precisamos presentear
a plateia com toda essa humanidade que representa a figura de Luis Karimai,
esse amor ao próximo, esse respeito para com a natureza, para com as coisas
simples, singelas, esse respeito pela vida. E as questões que cito no início do
escrito tornam-se banais, tornam-se nada, pois a profundidade, a nobreza de
Karimai ultrapassa toda e qualquer ninharia.
Tornamo-nos
pássaros, tintas, rabiscos, figuras, ar, luz, água, povo, cor, paisagem, céu,
seres alados, tornamo-nos amor.
Humildade.
Humanidade. Karimai. Estamos nos humanizando. Estamos nos construindo pessoas
melhores. Vai além da criação. Estamos sentindo Luis Karimai e se embebendo
desse ser de luz, que nos tanto nos ensina mesmo não estando mais presente
fisicamente.
Em
suma, gostaria de ressalvar minha profunda admiração por este trabalho, que
independente, de participar como intérprete, equipe técnica, apoio, ou qualquer
outra ramificação de execução do mesmo, estaria feliz, pois o aprendizado e
edificação de um ser melhor constroem-se a cada vivência. Simplicidade, sinto-me
invadido por essa palavra.
terça-feira, 28 de julho de 2015
Espetaculo Karimai por Lucivania (Diario de Bordo)
Diário
de bordo Karimai
24/07/15
Estamos a pouco mais de
um mês da estreia e começamos perceber que o trabalho se intensifica neste
momento. Ontem estivemos na casa de Eneida para vivermos mais um momento de
aproximação entre os pesquisadores de Karimai. Esse momento é muito gostoso no
processo criativo, por que entramos em contato direto com pessoas que
conviveram com Karimai, possibilitando um conhecimento de sua personalidade.
Outro ponto evidente que o encontro proporciona é a aproximação entre os
envolvidos do espetáculo, compreendendo a pesquisa em coletividade.
Bom, acredito que por
conta do encontro de ontem na casa de Eneida todos hoje aparentavam estar com a
alma tranquila, apesar de nossa estreia estar bem próximo. Considero esse
estado de energia positivo, devido o fato de que estamos começando a adentrar
cada vez mais no universo do artista Karimai. Sua obra me provoca um estado de
calmaria no espírito, apesar da diversidade de imagens e referências
impregnadas num único quadro.
Hoje experimentamos o
uso da música pensada por Di Freitas. Eu não me adaptei ainda ao som, minha
percepção é que em alguns momentos tudo destoa bastante das movimentações, cada
produção tem uma dramaturgia muito particular, cruzar isso não é fácil. Penso ao
mesmo tempo também, que essa multiplicidade talvez seja necessária para o
trabalho, se considerarmos os quadros de Karimai. Na verdade, essa é uma
percepção de segundo ensaio com o uso das novas músicas, estamos em processo de
adaptação.
No mais, o trabalho me
deixa bastante satisfeita, tanto por conta da entrega da Cia nessa pesquisa,
como por estarmos construindo algo em coletividade com outros pesquisadores,
que também admiram a vida e obra de Karimai, como Eneida, Di Freitas e Geraldo
Junior, além de estarmos envolvidos com outros admiráveis criadores como Ariane
Morais e Jamal Corleone.
Gratidão!
Por
Lucivania Lima.
sexta-feira, 24 de julho de 2015
quarta-feira, 22 de julho de 2015
Feriado, Eneida, Encontro, Processo, Chocolate, Karimai, Aprendizado, Alegria
A ideia de criar um espetáculo sobre
Karimai me perseguia a algum tempo, já tinha inclusive confessado isso para
algumas pessoas no decorrer da minha trajetória. Todavia outros interesses
atravessavam o caminho e este plano ia sendo naturalmente adiado.
Para o ano de 2015, sabendo que se
aproximava os dez anos da Alysson Amancio Cia de Dança eu desejava criar algo
especial e a antiga vontade saiu do plano do imaginário e cedeu lugar a concretude.
Estamos trabalhando para a composição coreográfica sobre Karimai desde o inicio
deste ano, porém, para mim o que está sendo surpreendente e encantador antes
mesmo do resultado final é o processo, as experiências vividas com as quais
venho me deparando. Este trabalho tem sido especial no seu dia a dia de
montagem.
Talvez seja a minha maturidade
como coreógrafo, acredito que carrego hoje um pouco mais de segurança do que
nos trabalhos iniciais, talvez seja a grandeza que é o universo do nosso
protagonista Karimai. Enfim, de fato não
sei explicar, mas este trabalho está o tempo inteiro me presenteando com afetos,
sinais, coincidências, novos olhares para a criação/vida.
Neste processo de montagem tenho
sentido mais necessidade de escrever, de ler os escritos e as sensações do
elenco, estou constantemente estudado as obras de Karimai que tenho acesso,
reflito sobre o roteiro, vivo uma incansável necessidade de cavar mais fundo e mais fundo e
mais fundo.
Além disso, não posso deixar de
citar a beleza que tem sido a aproximação com a Professora Eneida Feitosa, que
está cursando um Doutorado em Artes cuja sua Tese é sobre Karimai bem como o
contato com a familia de Karimai, a esposa Penha Karimai, alguns filhos e
amigos próximos. Está convivendo com estas pessoas, ouvir as historias, os
casos, receber o compartilhar das emoções tem sido extremamente tocante para
mim, tem me humanizado, me deixado mais sensível.
Hoje, quarta-feira, 22 de julho
de 2015, foi feriado em Juazeiro do
Norte, dia do município e fomos pela segunda vez passar o dia na casa de
Eneida. Mais um encontro inesquecível, composto de muitas risadas, lágrimas, confissões. No qual
assistimos uma entrevista de Karimai, (re)vimos algumas obras e degustamos do almoço delicioso de Eneida. Tanta generosidade
envolvida que não consigo passar indiferente ao que tenho recebido. Estou feliz
e desde já muito agradecido por está realizando este projeto artístico.
Declaro que já estou ansioso para
o ensaio de amanhã.
quarta-feira, 15 de julho de 2015
Resistiremos Dirario de bordo Alysson Amancio 1
Esta semana a Cia está de folga. Em trabalhos de grupo as vezes é saudavel pequenas pausas para desestressar os animos, todavia confesso que para mim estes dias sem encontros estao me angustiando.
Primeiramente sei que o corpo do bailarino precisa de um treinamento tecnico/poetico diario para a se manter bem cenicamente, mas a minha angustia vai alem disso, sou o o coreografo, diretor e responsavel pelo grupo, e estamos em plena fase de construção de um espetaculo, entao todas estas funçoes juntas acabam sendo conflituosas.
Vale salientar que a minha cabeça de criador nao para, nao tem e nao quer ter folga, o tempo inteiro fico mentalmente passando roteiros possiveis para o trabalho, fico criando imagens e possiveis coreografias para a obra e sem os ensaios e os bailarinos disponiveis tudo fica no meu cerebro dançando, dançando, dançando sem a concretude fisica desejada.
A semana passada foi extremamente rica para o processo do espetaculo Karimai, na quinta feira tivemos o segundo ensaio aberto, Penha Karimai assistiu o processo pela primeira vez, no sabado fizemos uma avaliação e um estudo teorico de um artigo cientifico que discute o imbricamento de dança e artes plasticas e no domingo passamos o dia na casa da professora Eneida Feitosa assistindo conversando sobre a vida e obra do nosso protagonista. Esta serie de acontecimentos consecutivos provocou em mim mais uma avalanche de pensamentos, e minha mente está ainda mais acelerada para este processo criativo.
Concordo com o bailarino Erick Bruno quando em roda no sabado ele falou que apos todos estes eventos o processo de Karimai certamente entrara num outro estagio da montagem, mais maduro e consciente para a a finalização da obra.
Acabei de ter uma reuniao de cenografia com Geraldo e mais tarde tenho uma reunião de figurino com Ariane, ontem Difreitas começou a me mandar as musicas, por um lado tem a pressa de ver todas estas engrenagens juntas por outra tem o fator financeiro que pesa, pois sao profissionais convidados que serao remunerados e a Cia nao tem recurso em caixa. Enfim, é chato escrever lastimas mas tudo isso faz parte do processo de uma montagem de um trabalho em grupo. Fazer Dança/Arte no Brasil é um desbravamento mas acredito que realizar isto no interior do Ceará bé ainda mais difícil pois a cultura de massa é toda voltada para os shows de forró, nao existe apoio de iniciativas publicas ou privadas, estamos num movimento de luta constante, é penoso mas resistiremos.
Primeiramente sei que o corpo do bailarino precisa de um treinamento tecnico/poetico diario para a se manter bem cenicamente, mas a minha angustia vai alem disso, sou o o coreografo, diretor e responsavel pelo grupo, e estamos em plena fase de construção de um espetaculo, entao todas estas funçoes juntas acabam sendo conflituosas.
Vale salientar que a minha cabeça de criador nao para, nao tem e nao quer ter folga, o tempo inteiro fico mentalmente passando roteiros possiveis para o trabalho, fico criando imagens e possiveis coreografias para a obra e sem os ensaios e os bailarinos disponiveis tudo fica no meu cerebro dançando, dançando, dançando sem a concretude fisica desejada.
A semana passada foi extremamente rica para o processo do espetaculo Karimai, na quinta feira tivemos o segundo ensaio aberto, Penha Karimai assistiu o processo pela primeira vez, no sabado fizemos uma avaliação e um estudo teorico de um artigo cientifico que discute o imbricamento de dança e artes plasticas e no domingo passamos o dia na casa da professora Eneida Feitosa assistindo conversando sobre a vida e obra do nosso protagonista. Esta serie de acontecimentos consecutivos provocou em mim mais uma avalanche de pensamentos, e minha mente está ainda mais acelerada para este processo criativo.
Concordo com o bailarino Erick Bruno quando em roda no sabado ele falou que apos todos estes eventos o processo de Karimai certamente entrara num outro estagio da montagem, mais maduro e consciente para a a finalização da obra.
Acabei de ter uma reuniao de cenografia com Geraldo e mais tarde tenho uma reunião de figurino com Ariane, ontem Difreitas começou a me mandar as musicas, por um lado tem a pressa de ver todas estas engrenagens juntas por outra tem o fator financeiro que pesa, pois sao profissionais convidados que serao remunerados e a Cia nao tem recurso em caixa. Enfim, é chato escrever lastimas mas tudo isso faz parte do processo de uma montagem de um trabalho em grupo. Fazer Dança/Arte no Brasil é um desbravamento mas acredito que realizar isto no interior do Ceará bé ainda mais difícil pois a cultura de massa é toda voltada para os shows de forró, nao existe apoio de iniciativas publicas ou privadas, estamos num movimento de luta constante, é penoso mas resistiremos.
sexta-feira, 10 de julho de 2015
Diário de Bordo por Rosilene Diniz 09 de julho 2015
Diário de Bordo
por Rosilene Diniz
Nove
de Julho de Dois mil e quinze, depois de alguns dias na terra da Garoa volto a
ver o sol radiante do nosso Cariri. Acordo ansiosa e com uma grande expectativa
de está presente na II Roda de Conversa Um Olhar sobre Karimai com exibição de
documentário, ensaio aberto espetáculo, debate com mediação da Profª Eneida
Feitosa realizado na ADC às 19:30 h.
Embora
esteja no processo de criação, infelizmente não pude dançar no ensaio aberto
devido estar ausente por alguns dias para fazer um curso, impossibilitando
assim de acompanhar as mudanças coreográficas. Porém, fiz questão de acompanhar
de perto registrando tudo emocionada com um olhar de artista/platéia e com certeza nervosa como os demais
bailarinos que estavam em cena.
Foi
uma noite linda, mágica, com muito aprendizado e troca de saberes. Com as
presenças de Penha Karimai, Clara Karimai, Profª Eneida Feitosa e amigos.Todos
se emocionaram bastante nessa noite. E já dizia Manoel de Barros : “ Que a
importância de uma coisa há que ser
medida pelo encantamento que a coisa produza em nós”.
Esse
encantamento com certeza pairou nos olhos de
Penha karimai relatando que
através do ensaio/espetáculo fez uma restrospectiva de sua
vida(cronologia-voltou no tempo) com Luiz como ela chamava. Pode ver na movimentação dos corpos
dos bailarinos o que ele queria retratar nos quadros. Falou que geralmente ele
pintava à noite e que ela ficava na cadeira por vezes cochilando e outras
observando até irem dormir.
O
debate foi de grande valia para o aprimoramento do espetáculo. A profª Eneida e
Penha falaram que o momento das máscaras deve ser colocado bem antes para
seguir corretamente a cronologia. Foi questionado também que como o espetáculo
retrata bem a figura do Karimai artista pintor é preciso também inserir o
Karimai humano, simples, brando, humilde, de luz. O diretor Alysson Amancio
queria a autorização de Penha para que o espetáculo receba o nome de Karimai em
sua homenagem e é obvio que ela consentiu.
Cada
dia me apaixono mais e mais com as pesquisas e processo de criações que fazemos
sobre a vida desse artista/humano que tinha um olhar cheio de sol,de pássaros,
de árvores,de águas,de natureza.O silêncio e a calmaria pairavam na sua
vida.Conseguia colocar muito bem seus sonhos em pinturas que transmitiam paz e
beleza estética.
Uma
frase que marcou nessa noite foi: “Não economizemos”.
Portanto,nunca
economize para que a vida tenha mais cores,flores,sorrisos e mais sonhos.
quarta-feira, 8 de julho de 2015
Diario de bordo de 07 07 2015 por Maria Lima
Boa tarde!
abaixo meu diário de bordo sobre "karimai".
No dia 07 de Julho de 2015 quinta feira, ainda me sentia confusa quanto ao espetáculo Karimai mas, sinto que os movimentos aos poucos vão se encaixando. Mesmo não tendo a oportunidade de tê-lo conhecido pessoalmente já o tenho uma profunda admiração, quando ouço historias sobre ele sinto uma necessidade de ser uma pessoa melhor, seus quadros afloram nossos sentimentos de paz, alegria, libertação e uma certa curiosidade.
Chegamos na ADC as 19:00h iniciando com um aquecimento individual, para em seguida partirmos para a primeira cena “um quadro branco a ser pintado”. Começa com o bailarino Allef simulando uma pintura, depois com um comando do Thiago o grupo inicia com poses de quatro em quatro tempos.
Durante nossos ensaios fazemos pequenas pausas onde fazemos pequenos ajustes e melhorias sob o olhar cuidadoso do Alysson onde ao final de cada ensaio conversamos sobre nosso figurino e os preparativos do ensaio aberto que será realizado no dia 09 de Julho de 2015 na ADC
segunda-feira, 6 de julho de 2015
Diario de Bordo Luciana Araujo 05 07 2015
Diario de bordo Karimai
Acho que karimai esta me conquistando aos poucos, as vezes me vejo tomada pensando em seus quadros, ainda de forma tímida..como se eu estivesse pedindo licença para adentrar em seu mundo..um caos organizado como disse Susana, sem focos, sem lugares cômodos para pousar olhar, pois este devaneia por todos os detalhes inquietantes, é tanta liberdade que fica difícil administrar as tantas possibilidades visuais e também corporais que as obras nos entregam...
O trabalho está a todo vapor e agora sinto que meu corpo está mais receptível para as propostas e células coreográficas que são criadas e repassadas nos ensaios, digo isto pois tive uma imensa dificuldade com o ultimo exercício de criação, pois alem de ter ficado doente fisicamente também me senti cansada mentalmente, na montagem com Thiago tínhamos que criar um duo com um tecido rosa e tudo que era proposto por ambos não dava certo, ora pelo tecido, ora pelo corpo cansado, não fluía, até que partimos para o simples, nada de acrobacias mirabolantes ou movimentações difíceis, deixamos apenas nos imaginar envoltos na áurea rosa e na sensação de cumplicidade que o casal do quadro nos passava e fluiu... agora me sinto mais confiante, sinto que posso mergulhar nas possibilidades dos quadros, do meu corpo e do que eu posso me apropriar nas obras para contribuir com o trabalho.
No ensaio de hoje realmente e finalmente me senti parte do espetáculo e hoje em casa me peguei criando e pensando meu corpo dentro de um quadro não mais com uma visão de cima como nos propõem as telas, mas de dentro. Com a pouca experiência de coreografa que tenho, acho este momento um dos mais complicados e gostosos em uma montagem, pois agora é a hora da costura, o desenhar, alinhar, entrelaçar...
Alysson nos passou alguns roteiros durante a semana e neste domingo novamente fizemos um roteiro novo, alguns bailarinos assim como eu ainda se sentem confusos em relação aos roteiros passados, mas cada vez que conversamos nas rodas após o ensaio, acho que as coisas vão clareando e cada um vai criando mecanismos de identificação com as cenas propostas.
Gosto desse momento da montagem, me recordo dos processos de outros trabalhos em que participei na Cia, porem neste sinto um gosto diferente, me sinto descobrindo uma outra
bailarina, intérprete-criadora dentro de mim e fico feliz que karimai esteja neste momento fazendo parte dessa descoberta, sua simplicidade grandiosa nos detalhes me faz sentir livre para degustar este processo.
Acho que karimai esta me conquistando aos poucos, as vezes me vejo tomada pensando em seus quadros, ainda de forma tímida..como se eu estivesse pedindo licença para adentrar em seu mundo..um caos organizado como disse Susana, sem focos, sem lugares cômodos para pousar olhar, pois este devaneia por todos os detalhes inquietantes, é tanta liberdade que fica difícil administrar as tantas possibilidades visuais e também corporais que as obras nos entregam...
O trabalho está a todo vapor e agora sinto que meu corpo está mais receptível para as propostas e células coreográficas que são criadas e repassadas nos ensaios, digo isto pois tive uma imensa dificuldade com o ultimo exercício de criação, pois alem de ter ficado doente fisicamente também me senti cansada mentalmente, na montagem com Thiago tínhamos que criar um duo com um tecido rosa e tudo que era proposto por ambos não dava certo, ora pelo tecido, ora pelo corpo cansado, não fluía, até que partimos para o simples, nada de acrobacias mirabolantes ou movimentações difíceis, deixamos apenas nos imaginar envoltos na áurea rosa e na sensação de cumplicidade que o casal do quadro nos passava e fluiu... agora me sinto mais confiante, sinto que posso mergulhar nas possibilidades dos quadros, do meu corpo e do que eu posso me apropriar nas obras para contribuir com o trabalho.
No ensaio de hoje realmente e finalmente me senti parte do espetáculo e hoje em casa me peguei criando e pensando meu corpo dentro de um quadro não mais com uma visão de cima como nos propõem as telas, mas de dentro. Com a pouca experiência de coreografa que tenho, acho este momento um dos mais complicados e gostosos em uma montagem, pois agora é a hora da costura, o desenhar, alinhar, entrelaçar...
Alysson nos passou alguns roteiros durante a semana e neste domingo novamente fizemos um roteiro novo, alguns bailarinos assim como eu ainda se sentem confusos em relação aos roteiros passados, mas cada vez que conversamos nas rodas após o ensaio, acho que as coisas vão clareando e cada um vai criando mecanismos de identificação com as cenas propostas.
Gosto desse momento da montagem, me recordo dos processos de outros trabalhos em que participei na Cia, porem neste sinto um gosto diferente, me sinto descobrindo uma outra
bailarina, intérprete-criadora dentro de mim e fico feliz que karimai esteja neste momento fazendo parte dessa descoberta, sua simplicidade grandiosa nos detalhes me faz sentir livre para degustar este processo.
domingo, 5 de julho de 2015
Diário de Bordo,04 de julho por Leonard Alves
Sábado 04 de Julho.
Uma bela manhã para ficar deitado e esperar a preguiça sai do corpo, para alguns, em semanas cansativas, como foi a minha esta semana, dormir até mais tarde seria prazeroso, mas para me não. Gosto de acredita que toda manhã de sábado possa ser aproveitada fazendo o que eu amo, por mais que eu esteja exausto da semana corrida, não sei de onde consigo tirar tanta energia para acordar disposto. Depois de um banho gelado e um café da manhã reforçado, vou para mais um dia de ensaio.
Começamos com um aula de aquecimento ministrada por Alysson Amâncio. Essa aula de aquecimento para o corpo e fundamental, pois estamos com o corpo frio e qualquer movimento brusco podemos gerar uma distensão ou algo mais gravar. Por isso e muito importante aquecermos nosso corpo antes de ensaiar!
No ensaios pesado Alysson tinha montado um roteiro para nos direcionar ( encaixando as partitura dos grupos, duos e solos) , no ensaio de hoje ele já tinha mudado novamente a sequência das partituras, definindo então as posições para o ensaio aberto que acontecerá no dia 9 de Julho.
Prosseguindo com o trabalho, ele pediu para cada bailarino montar uma partitura de 8 tempos ( cada 1 tempo desse 8, ficaríamos “congelados” em 4 segundos) , sendo que não contaria nesse 8 tempos a transição de um movimento para o outro. A partitura teria que ser criada para o nível baixo e médio. Cada um criou sua sequência, mostramos de um por um para ele.
Em seguida, Alysson pede para que Allef faça uma movimentação com os dedos, e a partir disso, ele pegaria um pincel que estaria no chão, um pouco a sua frente, e ele começava a “pintar a sua tela”, sendo a deixa para Thiago fazer um som de inspirá e darmos início as movimentações. Passamos o espetáculo duas vezes para que possamos nos adaptar com as mudanças.
Está no processo do espetáculo intitulado Karimai, tem sido uma ótima experiência, não é só está executando movimentos, é mais que isso, é está mexendo com os seus sentimentos. A cada vez que vejo o trabalho fico com vontade de dançar, de está nele de corpo e alma… posso afirmar que está sendo a maior experiencia da minha vida, em relação direta com a dançar. O trabalho está ficando lindo, fico até sem palavras ao falar sobre. Cada vez que fico observando o espetáculo de fora, percebo o quanto a visualidade dele está ficando incrível, e o quanto sou grato por ver um espetáculo de dança diferente de todos que eu já pude prestigiar.
Defino o ensaio de hoje como, uma escultura que está sendo lapidada por seu artista, e cada vez que ele se dedica, com mais qualidade fica o seu trabalho.
Uma bela manhã para ficar deitado e esperar a preguiça sai do corpo, para alguns, em semanas cansativas, como foi a minha esta semana, dormir até mais tarde seria prazeroso, mas para me não. Gosto de acredita que toda manhã de sábado possa ser aproveitada fazendo o que eu amo, por mais que eu esteja exausto da semana corrida, não sei de onde consigo tirar tanta energia para acordar disposto. Depois de um banho gelado e um café da manhã reforçado, vou para mais um dia de ensaio.
Começamos com um aula de aquecimento ministrada por Alysson Amâncio. Essa aula de aquecimento para o corpo e fundamental, pois estamos com o corpo frio e qualquer movimento brusco podemos gerar uma distensão ou algo mais gravar. Por isso e muito importante aquecermos nosso corpo antes de ensaiar!
No ensaios pesado Alysson tinha montado um roteiro para nos direcionar ( encaixando as partitura dos grupos, duos e solos) , no ensaio de hoje ele já tinha mudado novamente a sequência das partituras, definindo então as posições para o ensaio aberto que acontecerá no dia 9 de Julho.
Prosseguindo com o trabalho, ele pediu para cada bailarino montar uma partitura de 8 tempos ( cada 1 tempo desse 8, ficaríamos “congelados” em 4 segundos) , sendo que não contaria nesse 8 tempos a transição de um movimento para o outro. A partitura teria que ser criada para o nível baixo e médio. Cada um criou sua sequência, mostramos de um por um para ele.
Em seguida, Alysson pede para que Allef faça uma movimentação com os dedos, e a partir disso, ele pegaria um pincel que estaria no chão, um pouco a sua frente, e ele começava a “pintar a sua tela”, sendo a deixa para Thiago fazer um som de inspirá e darmos início as movimentações. Passamos o espetáculo duas vezes para que possamos nos adaptar com as mudanças.
Está no processo do espetáculo intitulado Karimai, tem sido uma ótima experiência, não é só está executando movimentos, é mais que isso, é está mexendo com os seus sentimentos. A cada vez que vejo o trabalho fico com vontade de dançar, de está nele de corpo e alma… posso afirmar que está sendo a maior experiencia da minha vida, em relação direta com a dançar. O trabalho está ficando lindo, fico até sem palavras ao falar sobre. Cada vez que fico observando o espetáculo de fora, percebo o quanto a visualidade dele está ficando incrível, e o quanto sou grato por ver um espetáculo de dança diferente de todos que eu já pude prestigiar.
Defino o ensaio de hoje como, uma escultura que está sendo lapidada por seu artista, e cada vez que ele se dedica, com mais qualidade fica o seu trabalho.
sábado, 4 de julho de 2015
Diario de Bordo 02 de Julho de 2015 Erick Bruno
Diário de Bordo
Erick Bruno
No dia 02 de julho de 2015, quinta feira, nós bailarinos novamente não tivemos aula de ballet, devido os ensaios exaustivos, que ao mesmo tempo se tornam prazerosos pelo fato de perceber que o espetáculo está ficando mais claro, mais consistente, mais bonito. A cada dia e semana que passa, percebo que as coisas estão se encaixando, que nossos corpos estão mais envolvidos com esse processo. Começamos o ensaio com um breve alongamento. Todos os bailarinos se encontravam presentes, exceto Yago e Faeina devido problemas de enfermidades e pessoais. Em seguida um primeiro roteiro foi passado pra gente, onde todos dançavam e trabalhavam juntos. As pausas não me incomodavam, pois entendo que esse processo de criação é difícil e paulatino. Cabe destacar nessa noite a emoção que senti em ver, primeiramente, o solo do Allef. Ficou muito bom e lindo de se assistir, pois vejo uma evolução imensa e um grande potencial nele pra esse espetáculo. Outra parte que me encanta e que não posso deixar de destacar é a delicadeza e toda a sensualidade das ‘’lavradeiras’’. A meiguice e a pureza que essa partitura coreográfica transmite são de prender a visão e a atenção de quem assiste igualmente a sensação que muito de nós sentimos ao se deparar com as obras de Karimai. Logo após o outro ‘’passadão ‘’ fizemos uma breve reunião para sabermos e escutar as opiniões um dos outros, e apesar do roteiro aparentar ‘’confuso’’, foi aconselhado que não nos desesperássemos. Estamos chegando lá.
Participar do processo Karimai, pra mim está sendo libertador. Tive muitas dificuldades no processo antigo, devido o tema surgir no decorrer dos encontros e pela minha ausência decorrente uma cirurgia que fiz, não pude dar o meu melhor, e fiquei insatisfeito comigo, mesmo o espetáculo sendo um sucesso e sem dúvida nenhuma um dos mais marcantes da Cia. As obras de Karimai me causam sensações múltiplas, da tristeza à alegria, da dor ao prazer, e isso faz com que a inspiração necessária chegue até mim. Chegue até nós. A arte tem o poder de revolucionar, e Karimai, com certeza fará e será um diferencial artístico na nossa região.
Erick Bruno
No dia 02 de julho de 2015, quinta feira, nós bailarinos novamente não tivemos aula de ballet, devido os ensaios exaustivos, que ao mesmo tempo se tornam prazerosos pelo fato de perceber que o espetáculo está ficando mais claro, mais consistente, mais bonito. A cada dia e semana que passa, percebo que as coisas estão se encaixando, que nossos corpos estão mais envolvidos com esse processo. Começamos o ensaio com um breve alongamento. Todos os bailarinos se encontravam presentes, exceto Yago e Faeina devido problemas de enfermidades e pessoais. Em seguida um primeiro roteiro foi passado pra gente, onde todos dançavam e trabalhavam juntos. As pausas não me incomodavam, pois entendo que esse processo de criação é difícil e paulatino. Cabe destacar nessa noite a emoção que senti em ver, primeiramente, o solo do Allef. Ficou muito bom e lindo de se assistir, pois vejo uma evolução imensa e um grande potencial nele pra esse espetáculo. Outra parte que me encanta e que não posso deixar de destacar é a delicadeza e toda a sensualidade das ‘’lavradeiras’’. A meiguice e a pureza que essa partitura coreográfica transmite são de prender a visão e a atenção de quem assiste igualmente a sensação que muito de nós sentimos ao se deparar com as obras de Karimai. Logo após o outro ‘’passadão ‘’ fizemos uma breve reunião para sabermos e escutar as opiniões um dos outros, e apesar do roteiro aparentar ‘’confuso’’, foi aconselhado que não nos desesperássemos. Estamos chegando lá.
Participar do processo Karimai, pra mim está sendo libertador. Tive muitas dificuldades no processo antigo, devido o tema surgir no decorrer dos encontros e pela minha ausência decorrente uma cirurgia que fiz, não pude dar o meu melhor, e fiquei insatisfeito comigo, mesmo o espetáculo sendo um sucesso e sem dúvida nenhuma um dos mais marcantes da Cia. As obras de Karimai me causam sensações múltiplas, da tristeza à alegria, da dor ao prazer, e isso faz com que a inspiração necessária chegue até mim. Chegue até nós. A arte tem o poder de revolucionar, e Karimai, com certeza fará e será um diferencial artístico na nossa região.
quinta-feira, 2 de julho de 2015
Diario do bordo 30 06 2015 por Suzana Carneiro
Diário de bordo 30/06/2015
Suzana Carneiro
Ainda não havia parado para
degustar por tanto tempo a obra visual de um artista plástico, essa experiência
estética provocada pela obra de karimay possibilita-me vivencia outros lugares
da minha percepção sensorial. Vejo meu
mundo, o lugar onde sempre estive um lugar comum a meus olhos, revestido de
suas cores, seus traços, ao mesmo tempo em que suas provocações amplia meu
olhar para esse mesmo mundo deixando de ser um para se tornar múltiplos.
Está dentro do processo de
montagem, participar de todas as etapas de sua construção vem educando os meus
sentidos, pelas múltiplas provocações que vivenciamos a cada encontro, essa
suspensão etérea, o lirismo nas ideais são proposições inspiradas e maturadas a
cada obra nova que conhecemos, acredito que isso só é possível por pensarmos de
forma processual na concepção do trabalho.
Vejo o processo de montagem
como a construção de um ser: Aos poucos estruturamos um corpo; agrupamos sua
ossatura; colocamos órgãos; tecidos; veias; canais nervosos; vias sanguíneas; organizamos
sua estrutura muscular; delineamos seus traços suas qualidades
corporais...
Hoje o que parece é que
encontramos a alma do trabalho, a parte sensível dele, o lugar na obra de arte
que nos permite suspender o virtuosismo, a técnica e transcende sua criação, o
lugar visível a penas, pela parte invisível de cada interprete- criador.
Penso que a alma do trabalho
é essa “lembrança feliz” em que todas falam quando memoram sobre a existência
de Karimay aqui neste plano. Saber a historia desse homem conforta nosso olhar
sobre o mundo.
O que mais me encanta é ver
seu respeito e amor pela natureza, pela delicadeza das coisas, pela
simplicidade da vida. Lembrei-me de quando era criança, da neve que de
manhãzinha cobria a praça, nada se via, se eu já enxergasse pelas cores dos
seus quadros, hoje eu narraria: “na minha infância de manhã a praça parecia com
o céu de Karimay”.
A experiência, a possibilidade
de que algo nos aconteça ou nos toque, requer um gesto de interrupção, um gesto
que é quase impossível nos tempos que correm: requer parar para pensar, parar
para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar, olhar mais devagar, e
escutar mais devagar, parar para sentir, sentir mais devagar, demorar-se nos
detalhes, suspender a opinião, suspender o juízo, suspender a vontade,
suspender o automatismo da ação, cultivar a atenção e a delicadeza, abrir os
olhos e os ouvidos, falar sobre o que nos acontece, aprender a lentidão,
escutar aos outros, cultivar a arte do encontro, calar muito, ter paciência e
dar-se tempo e espaço. (LARROSA, 2002, pag.22)
Talvez, fossem essas
provocações que Karimay proponha nos seus quadros, enxergar o mundo em minúcia,
“demorar-se nos detalhes”, “suspender o automatismo da ação”.
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