Diario de bordo Karimai
Acho que karimai esta me conquistando aos poucos, as vezes me vejo tomada pensando em seus quadros, ainda de forma tímida..como se eu estivesse pedindo licença para adentrar em seu mundo..um caos organizado como disse Susana, sem focos, sem lugares cômodos para pousar olhar, pois este devaneia por todos os detalhes inquietantes, é tanta liberdade que fica difícil administrar as tantas possibilidades visuais e também corporais que as obras nos entregam...
O trabalho está a todo vapor e agora sinto que meu corpo está mais receptível para as propostas e células coreográficas que são criadas e repassadas nos ensaios, digo isto pois tive uma imensa dificuldade com o ultimo exercício de criação, pois alem de ter ficado doente fisicamente também me senti cansada mentalmente, na montagem com Thiago tínhamos que criar um duo com um tecido rosa e tudo que era proposto por ambos não dava certo, ora pelo tecido, ora pelo corpo cansado, não fluía, até que partimos para o simples, nada de acrobacias mirabolantes ou movimentações difíceis, deixamos apenas nos imaginar envoltos na áurea rosa e na sensação de cumplicidade que o casal do quadro nos passava e fluiu... agora me sinto mais confiante, sinto que posso mergulhar nas possibilidades dos quadros, do meu corpo e do que eu posso me apropriar nas obras para contribuir com o trabalho.
No ensaio de hoje realmente e finalmente me senti parte do espetáculo e hoje em casa me peguei criando e pensando meu corpo dentro de um quadro não mais com uma visão de cima como nos propõem as telas, mas de dentro. Com a pouca experiência de coreografa que tenho, acho este momento um dos mais complicados e gostosos em uma montagem, pois agora é a hora da costura, o desenhar, alinhar, entrelaçar...
Alysson nos passou alguns roteiros durante a semana e neste domingo novamente fizemos um roteiro novo, alguns bailarinos assim como eu ainda se sentem confusos em relação aos roteiros passados, mas cada vez que conversamos nas rodas após o ensaio, acho que as coisas vão clareando e cada um vai criando mecanismos de identificação com as cenas propostas.
Gosto desse momento da montagem, me recordo dos processos de outros trabalhos em que participei na Cia, porem neste sinto um gosto diferente, me sinto descobrindo uma outra
bailarina, intérprete-criadora dentro de mim e fico feliz que karimai esteja neste momento fazendo parte dessa descoberta, sua simplicidade grandiosa nos detalhes me faz sentir livre para degustar este processo.

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