quarta-feira, 29 de julho de 2015

Diario de Bordo por Thiago Gomez

Diário de Bordo – Espetáculo Karimai
28 de Julho de 2015
Por Thiago Gomez

Bailarinos são vaidosos. Querem está em palco, querem ocupar um lugar de destaque, querem elevar sua imagem e algumas vezes apenas exaltar sua presença, dissociando-se da imensidão da obra e da grandeza que é a dança.
Por algum tempo acreditei que dançar um espetáculo vinha acrescido do glamour do bailarino em cena e que o trabalho estava a favor de tal. Equívoco que aos poucos fui/vou corrigindo.
A presença do intérprete na mise-en-scene lhe dar automaticamente um ponto de brilho, pois existe um aparato de fatores que colaboram para tal, mas há questões que são ainda mais profundas e transcendem tais casos meramente fúteis.
Vivenciar o processo de criação do espetáculo Karimai têm me feito refletir sobre essas questões, desconstruí-las e dar espaço para outros pensamentos, outras possibilidades, outras reflexões.
Acredito imensamente na generosidade, na humildade, nas boas energias que a criação nos presenteia. Estamos desenvolvendo uma sensibilidade impar, delicadeza, uma sutileza neste processo que vão além de qualquer outro fator. É visível o fortalecimento e a coletividade da companhia e como estamos todos trabalhando, direta ou indiretamente, em razão do espetáculo.
Quanto mais nos aprofundamos no tema gerador do trabalho, percebo que precisamos presentear a plateia com toda essa humanidade que representa a figura de Luis Karimai, esse amor ao próximo, esse respeito para com a natureza, para com as coisas simples, singelas, esse respeito pela vida. E as questões que cito no início do escrito tornam-se banais, tornam-se nada, pois a profundidade, a nobreza de Karimai ultrapassa toda e qualquer ninharia.
Tornamo-nos pássaros, tintas, rabiscos, figuras, ar, luz, água, povo, cor, paisagem, céu, seres alados, tornamo-nos amor.
Humildade. Humanidade. Karimai. Estamos nos humanizando. Estamos nos construindo pessoas melhores. Vai além da criação. Estamos sentindo Luis Karimai e se embebendo desse ser de luz, que nos tanto nos ensina mesmo não estando mais presente fisicamente.

Em suma, gostaria de ressalvar minha profunda admiração por este trabalho, que independente, de participar como intérprete, equipe técnica, apoio, ou qualquer outra ramificação de execução do mesmo, estaria feliz, pois o aprendizado e edificação de um ser melhor constroem-se a cada vivência. Simplicidade, sinto-me invadido por essa palavra.

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