Diário de Bordo – Espetáculo Karimai
28 de
Julho de 2015
Por Thiago Gomez
Bailarinos
são vaidosos. Querem está em palco, querem ocupar um lugar de destaque, querem
elevar sua imagem e algumas vezes apenas exaltar sua presença, dissociando-se
da imensidão da obra e da grandeza que é a dança.
Por
algum tempo acreditei que dançar um espetáculo vinha acrescido do glamour do
bailarino em cena e que o trabalho estava a favor de tal. Equívoco que aos
poucos fui/vou corrigindo.
A
presença do intérprete na mise-en-scene lhe
dar automaticamente um ponto de brilho, pois existe um aparato de fatores que
colaboram para tal, mas há questões que são ainda mais profundas e transcendem tais
casos meramente fúteis.
Vivenciar
o processo de criação do espetáculo Karimai
têm me feito refletir sobre essas questões, desconstruí-las e dar espaço para outros
pensamentos, outras possibilidades, outras reflexões.
Acredito
imensamente na generosidade, na humildade, nas boas energias que a criação nos
presenteia. Estamos desenvolvendo uma sensibilidade impar, delicadeza, uma
sutileza neste processo que vão além de qualquer outro fator. É visível o
fortalecimento e a coletividade da companhia e como estamos todos trabalhando,
direta ou indiretamente, em razão do espetáculo.
Quanto
mais nos aprofundamos no tema gerador do trabalho, percebo que precisamos presentear
a plateia com toda essa humanidade que representa a figura de Luis Karimai,
esse amor ao próximo, esse respeito para com a natureza, para com as coisas
simples, singelas, esse respeito pela vida. E as questões que cito no início do
escrito tornam-se banais, tornam-se nada, pois a profundidade, a nobreza de
Karimai ultrapassa toda e qualquer ninharia.
Tornamo-nos
pássaros, tintas, rabiscos, figuras, ar, luz, água, povo, cor, paisagem, céu,
seres alados, tornamo-nos amor.
Humildade.
Humanidade. Karimai. Estamos nos humanizando. Estamos nos construindo pessoas
melhores. Vai além da criação. Estamos sentindo Luis Karimai e se embebendo
desse ser de luz, que nos tanto nos ensina mesmo não estando mais presente
fisicamente.
Em
suma, gostaria de ressalvar minha profunda admiração por este trabalho, que
independente, de participar como intérprete, equipe técnica, apoio, ou qualquer
outra ramificação de execução do mesmo, estaria feliz, pois o aprendizado e
edificação de um ser melhor constroem-se a cada vivência. Simplicidade, sinto-me
invadido por essa palavra.
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